Pular para o conteúdo principal

Relato de Sustentabilidade e IFRS S1/S2 2026: O Que a Indústria Precisa Saber (CVM 193)

CONTABILIDADE • 2026-09-29 • 8 min de leitura • Equipe LucroRealTech

O Brasil adotou as normas ISSB (IFRS S1 e S2) para relatório de sustentabilidade. Entenda o que mudou em 2026, quem é obrigado, e por que isso importa mesmo para indústria de capital fechado.

Sustentabilidade deixou de ser discurso e virou informação contábil auditável. O Brasil foi um dos primeiros países a incorporar, na sua regulação, as normas internacionais de divulgação de sustentabilidade do ISSB — as IFRS S1 e IFRS S2 — por meio da Resolução CVM 193. Mas 2026 trouxe uma reviravolta importante no modelo de obrigatoriedade. Este texto explica o que é o relato de sustentabilidade, o que mudou, quem é alcançado e por que o tema importa até para a indústria de capital fechado.

O que são IFRS S1 e IFRS S2

São as duas primeiras normas do ISSB (o board internacional de padrões de sustentabilidade, ligado à mesma estrutura das IFRS contábeis):

  • IFRS S1: requisitos gerais para divulgar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade — riscos e oportunidades que podem afetar o caixa, o acesso a financiamento e o custo de capital da empresa.
  • IFRS S2: focada em clima — divulgação de riscos e oportunidades climáticas, incluindo emissões de gases de efeito estufa e a resiliência do negócio a cenários climáticos.

A lógica é a mesma da contabilidade financeira: informação padronizada, comparável e voltada ao investidor — só que sobre temas de sustentabilidade e clima.

O que mudou em 2026 (o ponto central)

A Resolução CVM 193 previa, originalmente, tornar o relatório de sustentabilidade obrigatório para companhias abertas a partir de 2026. Em 2026, porém, a CVM flexibilizou essa exigência, adotando o modelo "pratique ou explique": a companhia aberta não é mais obrigada a publicar o relatório, mas, se optar por divulgar informações financeiras de sustentabilidade e clima, deve seguir os padrões ISSB (IFRS S1 e S2). Quem não publica, explica.

AspectoSituação
Norma de referênciaIFRS S1 e S2 (ISSB), incorporadas pelo CBPS
Modelo atual"Pratique ou explique" (adoção não compulsória)
Padrão obrigatório para quem publicaSim: quem divulga deve seguir o ISSB
Público diretoCompanhias abertas (não se aplica a fundos e outros regulados)

Por que isso importa para indústria de capital fechado

Se a sua indústria não é companhia aberta, a regra da CVM não a obriga diretamente. Mas o tema chega por outros caminhos:

  • Cadeia de suprimentos: grandes clientes (montadoras, varejistas, exportadores) passam a exigir dados de sustentabilidade e emissões dos fornecedores.
  • Acesso a crédito: bancos e fundos incorporam critérios ESG na análise; melhores dados podem significar melhor custo de capital.
  • Exportação: mercados externos (como a União Europeia) impõem exigências ambientais e de carbono.
  • M&A e captação: investidores fazem due diligence ESG; quem tem dado organizado se valoriza.

Ou seja, mesmo sem obrigação legal direta, a indústria que se antecipa em medir e reportar sustentabilidade ganha competitividade e acesso a mercado e capital.

Por onde começar

  • Inventário de emissões (GEE): medir a pegada de carbono é a base do IFRS S2.
  • Mapeamento de riscos e oportunidades de sustentabilidade ligados ao negócio.
  • Dados contábeis integrados: o relato de sustentabilidade se conecta ao financeiro — consumo de energia, resíduos, investimentos em eficiência.
  • Governança do tema: definir responsáveis e processos, como em qualquer informação auditável.

Sustentabilidade e o lucro real

Para a indústria no lucro real, o relato de sustentabilidade conversa com a contabilidade: emissões ligadas a consumo de energia e processo, investimentos em eficiência que geram depreciação e créditos, e riscos que afetam caixa e valor. Estruturar esses dados com rigor contábil é o que transforma sustentabilidade em informação confiável para clientes, bancos e investidores. A LucroRealTech ajuda a indústria a organizar dados de sustentabilidade integrados à contabilidade, no lucro real, antecipando exigências de cadeia, crédito e mercado.

Perguntas Frequentes

O que são as normas IFRS S1 e S2?

São as duas primeiras normas do ISSB para divulgação de informações de sustentabilidade. A IFRS S1 trata dos requisitos gerais para divulgar riscos e oportunidades de sustentabilidade que afetam o negócio; a IFRS S2 é focada em clima, incluindo emissões de gases de efeito estufa e a resiliência da empresa a cenários climáticos. Ambas seguem a lógica de informação padronizada e comparável, voltada ao investidor.

O relatório de sustentabilidade é obrigatório no Brasil?

O Brasil incorporou as normas ISSB pela Resolução CVM 193, prevendo obrigatoriedade para companhias abertas. Em 2026, porém, a CVM flexibilizou a exigência, adotando o modelo "pratique ou explique": a companhia aberta não é mais obrigada a publicar, mas, se optar por divulgar informações financeiras de sustentabilidade e clima, deve seguir os padrões IFRS S1 e S2. A regra alcança companhias abertas.

Minha indústria não é companhia aberta. Preciso me preocupar?

A regra da CVM não obriga diretamente empresas de capital fechado, mas o tema chega pela cadeia de suprimentos (grandes clientes exigem dados de fornecedores), pelo acesso a crédito (critérios ESG na análise de bancos e fundos), pela exportação (exigências de mercados externos) e por processos de M&A e captação. Antecipar-se dá competitividade e acesso a mercado e capital.

O que é o modelo "pratique ou explique"?

É o modelo em que a empresa não é obrigada a adotar a prática (aqui, publicar o relatório de sustentabilidade), mas, se não adotar, deve explicar o porquê — e, se adotar, deve seguir o padrão exigido (as normas ISSB). Foi o modelo para o qual a CVM migrou em 2026, flexibilizando a obrigatoriedade que estava prevista.

Por onde uma indústria começa a se preparar?

Pelo inventário de emissões de gases de efeito estufa (base da IFRS S2), pelo mapeamento dos riscos e oportunidades de sustentabilidade do negócio, pela integração dos dados com a contabilidade (energia, resíduos, investimentos em eficiência) e pela definição de governança do tema. Tratar a informação com rigor contábil é o que a torna confiável para clientes, bancos e investidores.


Sua indústria já organiza dados de sustentabilidade que clientes e bancos vão exigir? A LucroRealTech integra sustentabilidade e contabilidade, no lucro real. Solicite um Diagnóstico de Resultado no WhatsApp.